quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

DADOS:















Identificação Cliente: Frederick C. Robie House


Localização: Chicago, Illinois, EUA

Data projeto: 1908

Data construção: 1909-10

Tipo de edifício: Residência

Arquiteto: Frank Lloyd Wrigh





CONHECIMENTO BREVE SOBRE O ARQUITETO:


Frank Lloyd Wrigh foi um arquiteto estadunidense considerado um dos mais importantes do século XX. Foi figura chave na arquitetura orgânica, que é um desdobramento da arquitetura moderna e se contrapunha ao estilo Internacional europeu.

Em meados de 1900, no período de 1895 a 1905, a arquitetura dos Estados Unidos da América era uma junção de estilos ecléticos, sem que de nenhuma maneira tivessem relação com as idéias e os ideais da nação. Na mesma época, considerava-se como arquitetura o levar à prática modas e estilos sem relação com as técnicas de construção, fenômeno chamado ecletismo. Por outro lado, era também uma época em que toda a indústria da construção estava experimentando transformações revolucionárias. Apareciam novos materiais de construção, ao mesmo tempo que se desenrolavam novos métodos de transformação para os materiais antigos. Mesmo assim, a arquitetura que realmente se levava à prática naquele tempo, pouco ou nada refletia estes novos métodos e materiais.

Antes de se tornar um dos maiores arquitetos de todos os tempos, ele estudou engenharia e faltando poucas semanas para sua graduação, ele abandonou o curso e foi trabalhar em Chicago como desenhista no escritório de Silsbee, um arquiteto de renome.

Seus principais trabalhos foram a Casa da Cascata (também conhecida por Casa Kaufmann) e a sede do Museu Solomon R. Guggenheim em Nova Iorque.

Trabalhou no início de sua carreira com Louis Sullivan, um dos pioneiros em arranha-céus da Escola de Chicago. Wright defendia que o projeto deve ser individual, de acordo com sua localização e finalidade. Influenciou os rumos da arquitetura moderna suas idéias e obras.

Edson da Cunha Mahfuz, diz em seu texto “Transparência e sombra: o plano horizontal na arquitetura paulista” que o aspecto relevante da obra de Wright é o emprego de estruturas em balanço, já evidente em 1907, ano em que vários telhados se projetam sobre os terraços da Casa Robie sem qualquer apoio em um dos seus extremos. A investigação inicial de Wright resulta no projeto para as torres St. Marks, de 1929, no qual aparece pela primeira vez uma estrutura tipo “árvore”: um núcleo central vertical suportando lajes sem apoios nos extremos e cujas secções vão afinando à medida que se afastam do centro.

As suas “casas da pradaria” mais aclamadas são a casa Robie, em Chicago (1906-a910), com uma cobertura abaixada, constituída por placas finas, e a casa Coonley, em Riverside, Ilinóis (1907-1908).Em 1909, Wright deixou a família para fazer uma viagem à Europa, onde se tornou muitíssimo influente na arquitectura devido à exposição da sua obra em Berlim (1910), e à publicação Ausgeführte Arbeiten und Entwürfe von Franf Lloyd Wright (o Portfolio Wasmuth).

A CASA ROBIE


A Casa Robie foi desenhada enquanto o arquiteto vivia e trabalhava na sua casa e estúdio em Oak Park (1889-1909).

Frank Lloyd Wright construiu esta casa em um município que era próspero na época e próxima à universidade de Chicago. A sintonia entre o arquiteto e o cliente foi completa e a obra custou mil dólares a menos do que o previsto.

A construção começou em Março de 1909 e foi entregue em Junho de 1910. A harmonia entre o cliente e Wright foi absoluta. Serviu como residência privada até 1926, quando foi vendida ao Seminário de Chicago. Foi ameaçada de demolição em 1957, no entanto, Wright se opôs, conseguindo com que isso não ocorresse, sendo a casa comprada pela Webb and Knapp - firma encarregada da renovação urbana em volta do Hyde Park – no mesmo ano.

Em 1963 foi doada pela firma à Universidade de Chicago e designada como marco histórico nacional.

Em 1992, a Universidade contatou a Frank Lloyd Wright Preservation Trust para iniciarem o restauro do edifício, que se iniciou em 1997 e tem previsão de 10 anos para a conclusão.



As Casas da Pradaria atingiram o auge com a Casa Robie, que se situa na cidade. Ali, a pradaria estava de fato dentro de casa - era parte da filosofia arquitetônica.

A casa exige um pessoal de serviço (leia-se empregados): perceba que no hall de entrada se tem acesso apenas pela garagem, o que implica que as visitas e os convidados tenham que chegar obrigatoriamente com carro e motorista.



Na casa Robie, Wright fugiu dos grandes halls de entrada e dos espaços agrupados que se tinha o costume de usar em Chicago. A organização da sala de estar e a de jantar no pavimento superior, junto aos beirais e aos terraços que se projetam por cima da calçada demonstram uma solução mais convencional e acentuam a volumetria característica da arquitetura de Wright.

No sistema construtivo, se destacam as paredes da obra visíveis, o detalhe da pedra natural nas próprias paredes e a cobertura com pouca inclinação cuja estrutura complexa permite grandes vãos.

O primeiro pavimento é uma composição linear que junta a sala de estar com a sala de jantar, apesar separá-las com uma lareira e uma escada que integram um elemento estrutural bem maciço. O baixo pé direito existente na área logo ao lado da faixa continua de janelas influi na composição da planta, porém essa dimensão aumenta no centro da sala de estar, estabelecendo uma hierarquia diferente ao longo do volume.



O interior reflete, sem interferência, a horizontalidade da cobertura. Quatro vigas de aço soldadas e longitudinais, com cerca de 30 metros de comprimento, correm através desta e permitem a sua ampla projeção. A sala de jantar e a de estar, separadas pela escada e pela lareira, voltam a ligar-se por meio da ampla banda de janelas o que, do ponto de vista ótico, engrandece ambas as salas.




“A gente mora no campo. O campo tem uma beleza bem característica. A gente deve reconhecer e acentuar essa beleza natural, sua extensão tranqüila. Logo, os telhados com inclinação leve, as pequenas proporções, as silhuetas leves, as chaminés maciças, os beirais protetores, os terraços baixos e as paredes externar adiantadas que limitam os pequenos jardins.” (Frank Lloyd Wright)



REFERENCIAS


FRAMPTON, Kenneth. In: História Crítica da Arquitetura Moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1997.


DUNSTER, David. In: 100 Casas Unifamiliares de La Arquitectura Del Siglo XX. Barcelona: Ingroprint, 1990.